sem título

Às vezes
A felicidade me [a]parece quase como um pecado acidental.
Como um tipo [muito especial]
De crime não premeditado.

(dezembro de 2011)

[bio]Física

Nas distorções do tempo-espaço
Faz-se caber um sonho em uma pintura
E a minha vida inteira caber no abraço
Das tuas pernas na minha cintura

(setembro de 2011)

sem título

Eu já quis escrever em torrente
Ser constante, como o sol
Todos os dias, todos os dias
Mas não tenho [mais] tanta pressa
Talvez nem seja lá tão poético
Ou talvez só espere transbordar
Ao invés de gotejar
[Agora escrevo como os invernos
Três meses por ano
Mais que isso seria muito triste
Muito gelado
Quem sabe até fatal]
Não tenho mais tanta pressa
[Nem menos]

(maio de 2011)

Estrela Cadente II (ou Sorte)

Poesia deveria ser sem querer
Poesia é olhar pro céu que é o tudo, o dentro-e-fora
E ver um motivo riscar e sumir
E fotografar isso no papel
Poesia [como o amor] é sorte
Poesia, meu amor, é sorte

(maio de 2011)

esfinge

encara

cara
a
cara

tão grande era
a vontade de decifrar
que devorou a esfinge

amor de revista

vi uma foto tua, ruiva,
entristeci-me.
onde estou eu que não por entre as tuas chamas?

Triângulo Amoroso

O vento acaricia o mar
Pro mar se debruçar na areia.

(janeiro de 2011)