Ícaro (Final Junto)

Olharam-se e ele viu o céu nos olhos dela
E a imensidão azul se tornou vontade
Assim, na impossibilidade de esquecê-la
Quis ter asas pra voar felicidade

Pôs-se a juntar os versos e as penas
Com a cera, com juras e melodia
Costurou paixão com linhas de alegria
E atirou-se ao céu com suas asas de poema

Mas o sol do céu era muito quente
E queimou as asas gentilmente
Derrubando o poeta que ousou voar

E sobre as cinzas das asas incineradas
Limpou as lágrimas já cicatrizadas
Sorrindo pra moça que o ajudava a levantar

(dezembro de 2008)

Por Perto

Eu sentia falta dos sorrisos.
Daqueles sorrisos largos e luminosos.
[Sorrisos de me estremecer, de me contagiar,
Que me doiam uma dor de alegria incessante e desesperada,
Que arrasavam
Os meus absurdos
E a minha razão.]
Dos que eu fiz e dos que ela fez.
Então eu vi que pensava neles tanto ou mais do que quando eu os via.
E percebi que eles nunca haviam ido embora.

(fevereiro de 2010)

sem título

Escrevo-te esse poema
Sem rima alguma
Para dizer-te que és como o céu e como a chuva.
E que te quero; meu céu e minha chuva.
Que és aquele sorriso antes do sono
E aquele sentimento
Constante de ansiedade
Aquela ansiedade feliz que precede toda coisa boa.
Que és gota de felicidade
E és minha acidez
E és susto de perfeição
Que nem por um instante me pacifica
Mas me acalma como se acalmam tempestades.
E que te quero sempre
Meu céu e minha chuva.

(abril de 2008)