Tempestades

Lá fora o céu cinza desaba
E grita sua raiva trovejando
E pune e salva despejando
Sobre nós sua fúria e lágrima

Cá no quarto meu céu derrama
Na ânsia urgente da vontade
Seu violento amor de tempestade
Sobre meu corpo, sobre minha cama

E se o sol, em seu abraço ardente
Definhar a paixão; Mansamente
Repousa em mim teu corpo-núvem

E como uma tormenta descontrolada
Condensa teu desejo em gotas d'água
E chove amor em mim como um dilúvio

(outubro de 2009)

Primeiro Beijo

Na escuridão em que a noite caminha
O Tempo tropeçou e se perdeu
E o mundo era o meu olhar no teu
O mundo era a tua boca na minha

(julho de 2008)

sem título

O que é isso dessa inquietação toda?
Essa angústia, esse nervoso
Vivo sempre na iminência de uma explosão
Ou implosão
[Que há de me dilacerar e me comprirmir
Como uma supernova]
Ansioso, espero pelo próximo segundo
E em um dia inteiro isso parece uma vida inteira.
Vicejo na dualidade
E ela me dói.
E ainda não entendi se quero que isso continue
Ou acabe.
Ou continue
E me acabe.