[a]Braços

Que se movem
Irriquietos
Incessantes
Que abrem e fecham
E levantam, e seguram
E empurram e se protegem
E que descansam
Somente
Quando se enchem de ti.

(abril de 2009)

Doce

Doce é o teu beijo, meu delírio
Que me embriaga em uma alegria louca
Que me queima no teu fogo divino
E me intoxica na doçura de tua boca

(abril de 2007)

Amor[?]

Eu te amo, e isso é puro. E não sei
Mais fazê-lo como faz um homem a uma mulher
Amo-te distante, e mais além
Amo-te estranho, como quem mal sabe o que quer

E te amo tão além da carne e do desejo
Tão depois da pele, do gosto e das palavras
E dos medos, e das juras, e das águas
E insano, como Narciso ama o espelho

E de amar assim, com certeza e plenitude
De amar uma coisa sem medo de perdê-la
Sei que enquanto vivo, estarei te amando

E, quem sabe, bem depois da minha finitude
Na poeira cósmica de alguma estrela
De alguma forma esse amor siga brilhando

(maio de 2008)

Pintura

Desenho sempre
Teu rosto
Traço por traço
Nas entrelinhas dos versos.
[Já que o Destino não quis-me pintor
Quis-me poeta]
É por isso
Que escolho [sempre]
As palavras mais coloridas.

(março de 2009)