Saudade[2]

Quando chega a noite, inevitável
O pensar se perder na dança
Do triste e do sorrir, na inseparável
Alegre crueldade da lembrança

Pois lembrar é lembrar. Não é ter
Ou é um ter sem ter de fato
É querer abraçar a imagem do retrato
E não ter braços e se contentar em ver

E toda noite a saudade me tortura
Nesse lembrar sem ter. E a vontade
Fica a me açoitar sem dó

E quando meu pensamento te procura
És lembrança de que sou saudade
De que eu sou saudade e só

(julho de 2009)

0 comentários:

Postar um comentário