Saudade[2]

Quando chega a noite, inevitável
O pensar se perder na dança
Do triste e do sorrir, na inseparável
Alegre crueldade da lembrança

Pois lembrar é lembrar. Não é ter
Ou é um ter sem ter de fato
É querer abraçar a imagem do retrato
E não ter braços e se contentar em ver

E toda noite a saudade me tortura
Nesse lembrar sem ter. E a vontade
Fica a me açoitar sem dó

E quando meu pensamento te procura
És lembrança de que sou saudade
De que eu sou saudade e só

(julho de 2009)

sem título

Não jurarei amor eterno.
A eternidade é grande e ele haveria de dormir.
Mas juro amor intenso.
Forte como o sol no verão.
E se o espaço de um dia for suficiente
Para que eu derrame sobre ti esse amor,
Que isso baste.
E que eu consiga,
Mesmo na complexidade enorme
E confusão imensa de meus pensamentos,
Fazer com que compreendas
Que eu te amo.
[E que isso baste.]
Mas se o amanhã virar hoje
E ainda houver o que fazer para expressar esse amor
E se ainda me quiseres,
Não mais que antes, nem menos, nem igual,
Mas ainda,
Que me ouças
E me olhes e me ames e sejas minha.
Pois serei teu e direi
[Mesmo em silêncio]
O que houver de ser dito
Para que compreendas
Que eu te amo.
[Não mais, nem menos, nem igual,
Mas ainda.]

(agosto de 2008)

Lua

Tão bela, mas tão distante.
Tão formosa a iluminar a noite.
Quisera eu tê-la, por um instante
A iluminar-me a alma
E trazer a calma
Para o meu coração errante.

E fico aqui, sozinho e calado
E na sorte das estrelas fico pensando
Que podem sempre ver-te dançando
A enfeitar o firmamento estrelado.
E em ser uma delas eu fico sonhando
Para ficar no céu ao teu lado.

(2005)

=1

pensando nele,
ela acorda, enrola,
levanta, aquece, bebe, enrola,
navega, arruma, enrola, feliz, sai.
enquanto ele dorme e ainda sonha com ela

pensando nela,
ele acorda, enrola,
levanta, aquece, liga, bebe,
navega, olha, joga, almoça, espera.
enquanto ela mal vê a hora de voltar.

os dois se encontram e
é amor pra todo lado
saudade ao quadrado
exponecialmente enamorados

nesse ínterim, o sol nasce e se põe
na coxia do nosso grande teatro
que evidencia a maior de todas as somas
representada pelo nosso humilde espetáculo

saudade

todos os dias penso naqueles que passam por ti
nem que seja por passar. fico pensando
malditos são aqueles que te tem por perto
e não são eu.
.
penso nas pessoas da tua sala
nas pessoas da calçada
em quem trabalha no mercado
quem te mira, sem querer, da sacada
.
não tenho vergonha em admitir
não preciso de rimas
pra te querer aqui
.
sinto muito tua falta
quero dormir
e acorda(-)lá
.

Valium

Não, não quero o convencional, quero o anormal! Nem riscas de giz, nem tons pastéis. Fodam-se os bordéis. Quero sexo selvagem no segredo da noite sob o olhar testemunhal da lua, só pra dar aquele ar de que pode ser revelado a qualquer hora, depois ou agora. Não quero nossos nomes num poema, muito menos numa canção. Quero, sim, troca de juras na troca de um olhar. Quero ouvir teu nome sair aos berros da minha boca enquanto pulo da sacada; enquanto me curo da ressaca, ou até mesmo antes da ressaca. Ser espontâneo, nada formatado. Moldes, pf! Pena de quem os vive. Prefiro, ainda que não prefira, viver sonhando aventurescamente as noites que não tive no calor da entorpecida mente.