rascunho

a questão não é ser explícito ou subentendido,
pois cada um, a sua maneira, é arte,
assim como o branco e o preto fazem sua parte.
o problema é aquela gente que tenta
sem ter a gana de conseguir,
visto que é muito mais fácil partir antes do outro ir.
e, no final, todo mundo acaba por se encontrar absorto
nessa coisa do "antes matar do que ser morto"!
oras, quanta besteira...
quem quer, que queira!

cançoneto

faço uso
do soneto
pra versar-te
o meu medo.

é sabido
com exatidão,
que, se te perco,
caio no chão.

breve -
como um
pequeno som

- e leve,
comum,
como um dom

estrambótico.

Amor Meu

Amor meu, imenso e extremo
Indefinido, complexo e indefinível
Amor, que é grande e é pequeno
E é intenso, denso e intangível

Adjetivado, trêmulo, sorridente
Temerário e muitas vezes impreciso
Inconstante, mas sempre presente
Tanto na lágrima quanto no riso

Amor, conciso, aberto e vago;
Da fúria violenta de um afago
À benevolência de um amor maldito

Misterioso, mergulhado na clareza
Confiante, a viver de incerteza
Amor meu - sempre teu e sempre infinito

(setembro de 2007)

cartada

como um jogador
que aposta tudo
numa velha carta
que não conhece

eu te quero

com a responsabilidade
de um viciado
que esquece da derrota

Estrela Cadente

Observava eu, o horizonte escuro
Quando ela brilhou com tanta beleza
Que clareou todo o meu céu noturno
Iluminando em mim uma paixão intensa

Mas mesmo com todo o amor que foi criado
Rápida como veio, ela partiu
Dos meus olhos ela fugiu
E fiquei só, com o céu estrelado

É como os invernos; vêm e vão
Como todas as coisas que ainda virão
Pois muito na vida é intermitente

Mas eu ainda estarei aprisionado
Nesta minha mania de ficar apaixonado
Por estes amores de estrela cadente

(agosto de 2006)