Perfeição

Ah, maldita perfeição insensata
Que te fez tão perfeita aos meus desejos
Que faz até nossa imperfeição tão exata
E fez tão exatos os nossos beijos

(março de 2008)

sem título

Eu quero meu verso de volta.
Quero aquela inspiração romântica ridícula
E aquele lirismo pedante.
Quero de novo aquelas rimas vazias
E meus versos verborrágicos
E tão cheios de tudo.
Porque isso aqui, não!, isso não é poesia
Isso é expurgação!
É me livrar dos fantasmas
É despejar, sem medir, o que me lacera o pensamento
É gritar pro mundo
Esse grito que eu contive anos a fio.
E eu quero gritar uma coisa
Uma coisa que não é amor
Que não é só amor. Que não é mais amor.
E que minha poesia já não pode mais conter.
Eu quero ser
Como um Dilúvio
Nesse mundo seco.
["Pra quê?
Pra afogar."]

(junho de 2008)