sem título

Sempre, enquanto estive procurando
Perguntei-me onde é que tu estavas
E fiquei tanto tempo esperando
No entanto, sem saber que te esperava

E o que eu busquei; sem nome e sem forma
Era arrepio, era translúcido e indefinido
Não sabia se verdade - mas que agora
Sei olhos, sei boca e sei sorriso

E esperei. Como quem espera adormecer
Como quem espera um beijo acontecer
Através de uma janela fechada

Mas de procurar acabou me encontrando
E percebi que vivi esperando
No entanto, sem saber que te esperava

(julho de 2008)

Teu e Minha (Final Junto)

Um dia, a sábia Lei do Acaso
Aquela que controla as coisas naturais
Escreveu meu nome no poema do teu pecado
E desenhou teu rosto nos meus sonhos surreais

Em olhar o olhar; num lampejo
Nos entregou os corações costurados
Fez de ti o meu amor mais amado
Fez de mim o teu Anjo de brinquedo

E na beleza das coisas abstratas
Se fez um romance de inexatas
Movido a sorrisos e beijos; simples assim

E o Acaso, por mais momentâneo que parece -
Como o Sol pertence ao dia que amanhece -
Nos fez um do outro; até o fim.

(novembro de 2007)

Acendo uma
vela para Neruda
e lamento
ter nos restado
do afeto
apenas a palavra.