O Sol

Despertas
E és manhã.
E te ergues para ser
A luz e o calor
Do mundo
Desse homem.
Caminhas
Pelo céu
E és dia.
Deslizas suave
Para o horizonte e
Te esparramas em minha cama.
E és minha estrela
E és noite.
E descansas no meu abraço
Para despertares
E continuares a ser
A luz e o calor
Do mundo desse homem.

(agosto de 2008)

Ícaro (Final Separado)

Olharam-se e ele viu o céu nos olhos dela
E a imensidão azul se tornou vontade
Assim, na impossibilidade de esquecê-la
Quis ter asas pra voar felicidade

Pôs-se a juntar os versos e as penas
Com a cera, com juras e melodia
Costurou paixão com linhas de alegria
E atirou-se ao céu com suas asas de poema

Mas o sol do céu era muito quente
E queimou as asas gentilmente
Derrubando do azul o anjo amante

E sobre as cinzas das asas incineradas
Ergueu-se e encarou o pó das estradas
Maldisse a altura e foi ser andante

(dezembro de 2008)

Provas

Eu não quero provas de amor.
A necessidade de se provar algo só existe mediante a dúvida.
Eu quero amor sem dúvida, amor que se explique por si só.
Quero senti-lo simples e puro, em cada beijo e cada abraço.
Não que eu vá me incomodar
Em encontrar um “te amo” perdido,
Ou em me deixar escapar algum, por entre um suspiro.
Mas que essas palavras venham como a chuva.
Que sejam como a chuva.
Que purifique, que se renove, que alivie.
E que faça aquele barulho gostoso
Pra me ajudar a dormir tranquilo.

(janeiro/2009)