Medo

Não me assuste tanto assim
Meu doce amor incerto
Não te esconde assim de mim
Não seja longe; Seja perto.

Se sozinho, eu tenho medo
Medo de acabar perdido
Perder-me nos teus segredos
E não me achar no teu sorriso

Não me esconde o pensamento
Não te escondas tanto tempo
Dá-me a flor. Dá-me o espinho.

Não assusta o teu amante
Não te esconde assim distante
Eu tenho medo se sozinho.

(2007)

Flores

Viveremos
Entre um bem-me-quer e um mal-me-quer
Até não restar pétala alguma.

(novembro de 2009)

Quero

Perder as tardes preguiçosas
Encontrando carinhos
Perdidos entre os cobertores.
Saboreando 'euteamos'
Enquanto passeio
Pelos teus olhos
E procuro meus desejos
Pelos teus cabelos.
Enquanto se distraem
Minhas mãos
Em teu corpo inteiro
Aprendendo
Toda delícia dos teus detalhes.
[Enquanto o Tempo se turva e se dobra lá fora
E se desfaz
Irrelevante
Enquanto o mundo corre e cansa atrás do nada
E nos esquece.]

(novembro de 2009)

[Re]Encontro

Um dia
Ironicamente
Encontramos em nós
Aquilo que achávamos que o mundo nos havia tirado.

(abril de 2008)

Colorir

Depois que se entende com clareza
O que eles chamam "relatividade"
E se entende que nada tem verdadeiro significado ou importância
[Nenhum além daquele que tu mesmo cria]
O mundo tende a parecer menos colorido.
Mas isso se explica
Quando se vê
Que é preciso
Um mundo sem cor
Para que possas pintá-lo ao teu gosto.

(maio de 2008)

Tempestades

Lá fora o céu cinza desaba
E grita sua raiva trovejando
E pune e salva despejando
Sobre nós sua fúria e lágrima

Cá no quarto meu céu derrama
Na ânsia urgente da vontade
Seu violento amor de tempestade
Sobre meu corpo, sobre minha cama

E se o sol, em seu abraço ardente
Definhar a paixão; Mansamente
Repousa em mim teu corpo-núvem

E como uma tormenta descontrolada
Condensa teu desejo em gotas d'água
E chove amor em mim como um dilúvio

(outubro de 2009)

Primeiro Beijo

Na escuridão em que a noite caminha
O Tempo tropeçou e se perdeu
E o mundo era o meu olhar no teu
O mundo era a tua boca na minha

(julho de 2008)

sem título

O que é isso dessa inquietação toda?
Essa angústia, esse nervoso
Vivo sempre na iminência de uma explosão
Ou implosão
[Que há de me dilacerar e me comprirmir
Como uma supernova]
Ansioso, espero pelo próximo segundo
E em um dia inteiro isso parece uma vida inteira.
Vicejo na dualidade
E ela me dói.
E ainda não entendi se quero que isso continue
Ou acabe.
Ou continue
E me acabe.

Mar

Tu és, de fato
Um mar. Um oceano
E eu cá num barco
Perdido, navegando

Um oceano, imenso
Genioso, hipnotizante
Ao meu redor só o que vejo
Tu e céu no meu horizonte

Um mar! Um mar bravio
Que despedaçou meu navio
E me deixou naufragado

Um mar. Um mar de amor.
E se de amor ele inteiro for
Queira Deus que eu morra afogado

(abril de 2008)

Cadáver Delicado

Deitada, ali jazia
Toda a razão do meu verso
Quisera eu o inverso
Fosse eu na terra fria

Quisera do Céu ver-te
Sobre meu peito debruçada
Maldizendo Deus, na tua mágoa
Pela infinita dor de perder-me

Antes beber teu pranto em torrente
Á ficar em um mundo indolente
Sozinho, perdido e apaixonado

Um segundo no Céu te esperando
Do que anos na terra chorando
Velando teu cadáver tão delicado

(setembro de 2007)

sem título

Perdoa, meu amor, o silêncio.
Deixa serem
Os carinhos
As palavras.
Sejamos poesia um dia inteiro.

(junho de 2009)

[a]Braços

Que se movem
Irriquietos
Incessantes
Que abrem e fecham
E levantam, e seguram
E empurram e se protegem
E que descansam
Somente
Quando se enchem de ti.

(abril de 2009)

Doce

Doce é o teu beijo, meu delírio
Que me embriaga em uma alegria louca
Que me queima no teu fogo divino
E me intoxica na doçura de tua boca

(abril de 2007)

Amor[?]

Eu te amo, e isso é puro. E não sei
Mais fazê-lo como faz um homem a uma mulher
Amo-te distante, e mais além
Amo-te estranho, como quem mal sabe o que quer

E te amo tão além da carne e do desejo
Tão depois da pele, do gosto e das palavras
E dos medos, e das juras, e das águas
E insano, como Narciso ama o espelho

E de amar assim, com certeza e plenitude
De amar uma coisa sem medo de perdê-la
Sei que enquanto vivo, estarei te amando

E, quem sabe, bem depois da minha finitude
Na poeira cósmica de alguma estrela
De alguma forma esse amor siga brilhando

(maio de 2008)

Pintura

Desenho sempre
Teu rosto
Traço por traço
Nas entrelinhas dos versos.
[Já que o Destino não quis-me pintor
Quis-me poeta]
É por isso
Que escolho [sempre]
As palavras mais coloridas.

(março de 2009)

Saudade[2]

Quando chega a noite, inevitável
O pensar se perder na dança
Do triste e do sorrir, na inseparável
Alegre crueldade da lembrança

Pois lembrar é lembrar. Não é ter
Ou é um ter sem ter de fato
É querer abraçar a imagem do retrato
E não ter braços e se contentar em ver

E toda noite a saudade me tortura
Nesse lembrar sem ter. E a vontade
Fica a me açoitar sem dó

E quando meu pensamento te procura
És lembrança de que sou saudade
De que eu sou saudade e só

(julho de 2009)

sem título

Não jurarei amor eterno.
A eternidade é grande e ele haveria de dormir.
Mas juro amor intenso.
Forte como o sol no verão.
E se o espaço de um dia for suficiente
Para que eu derrame sobre ti esse amor,
Que isso baste.
E que eu consiga,
Mesmo na complexidade enorme
E confusão imensa de meus pensamentos,
Fazer com que compreendas
Que eu te amo.
[E que isso baste.]
Mas se o amanhã virar hoje
E ainda houver o que fazer para expressar esse amor
E se ainda me quiseres,
Não mais que antes, nem menos, nem igual,
Mas ainda,
Que me ouças
E me olhes e me ames e sejas minha.
Pois serei teu e direi
[Mesmo em silêncio]
O que houver de ser dito
Para que compreendas
Que eu te amo.
[Não mais, nem menos, nem igual,
Mas ainda.]

(agosto de 2008)

Lua

Tão bela, mas tão distante.
Tão formosa a iluminar a noite.
Quisera eu tê-la, por um instante
A iluminar-me a alma
E trazer a calma
Para o meu coração errante.

E fico aqui, sozinho e calado
E na sorte das estrelas fico pensando
Que podem sempre ver-te dançando
A enfeitar o firmamento estrelado.
E em ser uma delas eu fico sonhando
Para ficar no céu ao teu lado.

(2005)

=1

pensando nele,
ela acorda, enrola,
levanta, aquece, bebe, enrola,
navega, arruma, enrola, feliz, sai.
enquanto ele dorme e ainda sonha com ela

pensando nela,
ele acorda, enrola,
levanta, aquece, liga, bebe,
navega, olha, joga, almoça, espera.
enquanto ela mal vê a hora de voltar.

os dois se encontram e
é amor pra todo lado
saudade ao quadrado
exponecialmente enamorados

nesse ínterim, o sol nasce e se põe
na coxia do nosso grande teatro
que evidencia a maior de todas as somas
representada pelo nosso humilde espetáculo

saudade

todos os dias penso naqueles que passam por ti
nem que seja por passar. fico pensando
malditos são aqueles que te tem por perto
e não são eu.
.
penso nas pessoas da tua sala
nas pessoas da calçada
em quem trabalha no mercado
quem te mira, sem querer, da sacada
.
não tenho vergonha em admitir
não preciso de rimas
pra te querer aqui
.
sinto muito tua falta
quero dormir
e acorda(-)lá
.

Valium

Não, não quero o convencional, quero o anormal! Nem riscas de giz, nem tons pastéis. Fodam-se os bordéis. Quero sexo selvagem no segredo da noite sob o olhar testemunhal da lua, só pra dar aquele ar de que pode ser revelado a qualquer hora, depois ou agora. Não quero nossos nomes num poema, muito menos numa canção. Quero, sim, troca de juras na troca de um olhar. Quero ouvir teu nome sair aos berros da minha boca enquanto pulo da sacada; enquanto me curo da ressaca, ou até mesmo antes da ressaca. Ser espontâneo, nada formatado. Moldes, pf! Pena de quem os vive. Prefiro, ainda que não prefira, viver sonhando aventurescamente as noites que não tive no calor da entorpecida mente.

rascunho

a questão não é ser explícito ou subentendido,
pois cada um, a sua maneira, é arte,
assim como o branco e o preto fazem sua parte.
o problema é aquela gente que tenta
sem ter a gana de conseguir,
visto que é muito mais fácil partir antes do outro ir.
e, no final, todo mundo acaba por se encontrar absorto
nessa coisa do "antes matar do que ser morto"!
oras, quanta besteira...
quem quer, que queira!

cançoneto

faço uso
do soneto
pra versar-te
o meu medo.

é sabido
com exatidão,
que, se te perco,
caio no chão.

breve -
como um
pequeno som

- e leve,
comum,
como um dom

estrambótico.

Amor Meu

Amor meu, imenso e extremo
Indefinido, complexo e indefinível
Amor, que é grande e é pequeno
E é intenso, denso e intangível

Adjetivado, trêmulo, sorridente
Temerário e muitas vezes impreciso
Inconstante, mas sempre presente
Tanto na lágrima quanto no riso

Amor, conciso, aberto e vago;
Da fúria violenta de um afago
À benevolência de um amor maldito

Misterioso, mergulhado na clareza
Confiante, a viver de incerteza
Amor meu - sempre teu e sempre infinito

(setembro de 2007)

cartada

como um jogador
que aposta tudo
numa velha carta
que não conhece

eu te quero

com a responsabilidade
de um viciado
que esquece da derrota

Estrela Cadente

Observava eu, o horizonte escuro
Quando ela brilhou com tanta beleza
Que clareou todo o meu céu noturno
Iluminando em mim uma paixão intensa

Mas mesmo com todo o amor que foi criado
Rápida como veio, ela partiu
Dos meus olhos ela fugiu
E fiquei só, com o céu estrelado

É como os invernos; vêm e vão
Como todas as coisas que ainda virão
Pois muito na vida é intermitente

Mas eu ainda estarei aprisionado
Nesta minha mania de ficar apaixonado
Por estes amores de estrela cadente

(agosto de 2006)

sem título

Eu já quis um coração leviano
Para flutuar, lépido e ágil,
De um amor a outro.
E não me arrastar, intenso e triste,
Do amor ao vazio
Do vazio ao amor
Com esse coração de toneladas
Que insiste em afundar inteiro
E decantar nas minhas vontades.
[Até que o vento soprou forte
E o coração de pluma subiu alto
Dançou bonito no ar
E foi repousar longe.
Enquanto eu permanecia
Estático, pesado, monolítico.]

(maio de 2009)

porta

não tenho interesse em ser leve
quero ser peso.
embora todos tenham um limite
é a tua resistência que há de me dizer
sois fértil, ou não.

não tenho vontade de apenas te ver
quero ter a tua mão.
mesmo que, pra isso, precise amputar a minha
e deixá-la repousar sobre o teu colchão
do lado dos meus sonhos, agora, desiludidos.

eu quero só te ver bem, com meus olhos de bem-querer
e que tu sejas como um espelho que me mira todos os dias quando acordo
enquanto penso em todas as mazelas da vida
enquanto te digo no momento em que me deixas pela porta:
tenhas um bom dia, meu amor.

Líquida

És líquida [enquanto te convém]
És maleável, de um ser fluido
Assim, quase que por descuido
Tomas a forma de quem te contém

E se tens agora meu formato
Foi porque capturei, decidido
As gotas do teu amor abstrato
A torrente do teu amor desmedido

Mas contidas, tornam-se furiosas
As águas que buscam, ansiosas
Libertarem-se em formatos incertos

E gotejam, líquidas, como pranto
Que eu vejo escorrer enquanto
Escorres por meus dedos entreabertos

(maio de 2009)

Cinza

Dia triste e nublado
Em que o sol fica escondido
Mas o lindo céu acinzentado
Se faz o meu preferido

Pois eu vejo tudo borrado
E as cores que restam ainda
São pálidos tons de cinza
A colorir meu mundo apagado

Já que feito sofrer por amores
Todo peito perde as cores
E chora por paixão que se finda

E no coração de quem amava
Resta, do amor que queimava
Apenas um punhado de cinza

(2006)

Soneto do Amor Mortal

Por favor, meu bem, vem e me ama
Extermina essa minha ânsia de viver
Chora em mim e apaga essa chama
Destrói minha vontade e meu querer

Me abraça forte e me sufoca
Me constringe, me retalha, minha amada
Faz toda essa alegria beirar o nada
E ante minha constância, me desloca

Arrasta minha calma para o abismo
Mata minha razão com um sorriso
Injeta em mim o teu amor mais letal

Aniquila minha força e me mortifica
Me tranca no teu coração, me sacrifica
Pois sendo amor, meu amor, seja mortal

(outubro de 2006)

Tempo

Senti que o Tempo não passou
Desde que fostes embora
Parece que aumentaram as horas
Parece que o Tempo estagnou
Sim, insensível, ele brincou
E fez o jogo da demora

Porém, quando estás presente
O Tempo faz outra brincadeira
Se comporta de outra maneira
E começa a correr velozmente
Faz a noite passar ligeira
E assim, vais embora novamente

Por que, Tempo, tu não entende?
Por que és assim, intermitente
E te divertes com meu sofrer
Tempo, vê se hoje tu te tarda
Deixa-me ficar com minha amada
E, por favor, atrasa esse amanhecer

(junho de 2006)

Perfeição

Ah, maldita perfeição insensata
Que te fez tão perfeita aos meus desejos
Que faz até nossa imperfeição tão exata
E fez tão exatos os nossos beijos

(março de 2008)

sem título

Eu quero meu verso de volta.
Quero aquela inspiração romântica ridícula
E aquele lirismo pedante.
Quero de novo aquelas rimas vazias
E meus versos verborrágicos
E tão cheios de tudo.
Porque isso aqui, não!, isso não é poesia
Isso é expurgação!
É me livrar dos fantasmas
É despejar, sem medir, o que me lacera o pensamento
É gritar pro mundo
Esse grito que eu contive anos a fio.
E eu quero gritar uma coisa
Uma coisa que não é amor
Que não é só amor. Que não é mais amor.
E que minha poesia já não pode mais conter.
Eu quero ser
Como um Dilúvio
Nesse mundo seco.
["Pra quê?
Pra afogar."]

(junho de 2008)

Soneto à Moça que Passa

Quão bela és tu, que simplesmente passa
Passa diante, em torno, e através de mim
Simplesmente passa, e eu te vejo assim
Distante e indiferente ao que quer que eu faça

E teus olhos! Tão ferais, sutis e claros
E misteriosos. E divinos. E belos.
Que me chamam ao ardor de desvendá-los
Mas estremeço na mínima chance de vê-los

E a tua forma! Tênue, efêmera e punjente
Que faz os Anjos invejarem docemente
A divina forma na qual fostes moldada

A mim, resta esperar-te alegremente
Para que passes, assim, simplesmente
E eu te veja: Bela. Distante. Divinizada.

(maio de 2007)

Soneto de Distração

Nas horas longas, pra distrair eu invento
Pra pensar, pra não pensar, pra dormir
Versar um verso, uma estrofe, um soneto
Escrever um hoje, um amanhã, um sentir

E conseguir despejar em algum lugar
O que me resta, me falta, me sobra
Ocupar o pensamento e não te procurar
Na saudade tua que em mim transborda

E sendo ocupado, distraído, enfim
Não me pergunto se é bom viver assim
Com a cabeça cheia e o coração vazio

Já que ficar à toa é achar um jeito
De te lembrar e encostar no peito
A ponta cega de uma faca sem fio

(julho de 2007)

Beijo

Desperto e beijo o dia
Ouso até beijar um verso
Mas se me sorri a alegria
Dou-lhe um beijo e me despeço

E vou, num gesto absurdo
Procurar meu beijo perdido
Perdi, talvez, por ter corrido
Atrás dos beijos do mundo

Ora num lábio, ora num rosto
Acho, entre um e outro
O meu beijo se perdeu

E, que feliz seria
Se, por acaso, um dia
Meu beijo encontrasse o teu

(março de 2008)

Distância

Lento e longo o dia passa
E esperar é tão insuportável
A hora, lenta, que se arrasta
Vazia e interminável

Pois quando de ti afastado
No meu lado do abismo da distância
O mundo se desfaz em inconstância
E o meu dia se torna apagado

Ah! Anjo! Quando estás distante
Sofre minh'alma longe da tua
No escuro ajoelhada e sozinha

Vem! Reduz esse espaço angustiante
Faz com que a distância diminua
Ou então, não separa tua alma da minha

(outubro de 2006)

sem título

Sempre, enquanto estive procurando
Perguntei-me onde é que tu estavas
E fiquei tanto tempo esperando
No entanto, sem saber que te esperava

E o que eu busquei; sem nome e sem forma
Era arrepio, era translúcido e indefinido
Não sabia se verdade - mas que agora
Sei olhos, sei boca e sei sorriso

E esperei. Como quem espera adormecer
Como quem espera um beijo acontecer
Através de uma janela fechada

Mas de procurar acabou me encontrando
E percebi que vivi esperando
No entanto, sem saber que te esperava

(julho de 2008)

Teu e Minha (Final Junto)

Um dia, a sábia Lei do Acaso
Aquela que controla as coisas naturais
Escreveu meu nome no poema do teu pecado
E desenhou teu rosto nos meus sonhos surreais

Em olhar o olhar; num lampejo
Nos entregou os corações costurados
Fez de ti o meu amor mais amado
Fez de mim o teu Anjo de brinquedo

E na beleza das coisas abstratas
Se fez um romance de inexatas
Movido a sorrisos e beijos; simples assim

E o Acaso, por mais momentâneo que parece -
Como o Sol pertence ao dia que amanhece -
Nos fez um do outro; até o fim.

(novembro de 2007)

Acendo uma
vela para Neruda
e lamento
ter nos restado
do afeto
apenas a palavra.

O Sol

Despertas
E és manhã.
E te ergues para ser
A luz e o calor
Do mundo
Desse homem.
Caminhas
Pelo céu
E és dia.
Deslizas suave
Para o horizonte e
Te esparramas em minha cama.
E és minha estrela
E és noite.
E descansas no meu abraço
Para despertares
E continuares a ser
A luz e o calor
Do mundo desse homem.

(agosto de 2008)

Ícaro (Final Separado)

Olharam-se e ele viu o céu nos olhos dela
E a imensidão azul se tornou vontade
Assim, na impossibilidade de esquecê-la
Quis ter asas pra voar felicidade

Pôs-se a juntar os versos e as penas
Com a cera, com juras e melodia
Costurou paixão com linhas de alegria
E atirou-se ao céu com suas asas de poema

Mas o sol do céu era muito quente
E queimou as asas gentilmente
Derrubando do azul o anjo amante

E sobre as cinzas das asas incineradas
Ergueu-se e encarou o pó das estradas
Maldisse a altura e foi ser andante

(dezembro de 2008)

Provas

Eu não quero provas de amor.
A necessidade de se provar algo só existe mediante a dúvida.
Eu quero amor sem dúvida, amor que se explique por si só.
Quero senti-lo simples e puro, em cada beijo e cada abraço.
Não que eu vá me incomodar
Em encontrar um “te amo” perdido,
Ou em me deixar escapar algum, por entre um suspiro.
Mas que essas palavras venham como a chuva.
Que sejam como a chuva.
Que purifique, que se renove, que alivie.
E que faça aquele barulho gostoso
Pra me ajudar a dormir tranquilo.

(janeiro/2009)